Enquanto nos Estados Unidos a palavra – sim a palavra, aquela velha amiga encontrada nas ruas e na literatura em geral- tem tomado uma dimensão cada vez maior no debate político; no Brasil parece que quanto menos um político se expõe, melhor, pelo menos quando o assunto são eleições. A força da palavra aqui na terra de Ruy Barbosa, o político, está cada vez menor. Hoje vivemos na terra de outro Ruy Barbosa, o Benedito, o novelista, que prima por agradar a todos com uma linguagem pasteurizada e desprovida de conteúdo político, não que ele não o faça com competência, faz sim, mas trata-se do gênero: novela é novela.
A campanha eleitoral nos Estados Unidos, baseada no embate franco e direto, parece que está atingindo os cidadãos e levantando debates. Coisa que no Brasil não se vê há muito tempo. Aqui política virou a arte de esconder o que se pensa. Todos estão se esforçando cada vez mais para parecerem iguais, como se o eleitor fosse idiota e tivesse medo de mudar qualquer coisa.
Aqui no Brasil o discurso virou coisa de segundo plano, mera encheção de linguiça durante comícios. Uma pena. Ninguém aqui diz nada que não tenha sido previamente aprovado pelo marketeiro de plantão. Nos EUA vemos um duelo de palavras digno de envolver e cativar os eleitores e a opinião pública internacional.
As campanhas no Brasil têm sido baseadas no medo. Medo de mudar, medo de perder isso, medo de eleger uma governador que não se dê bem com o presidente, medo de eleger um prefeito que não se dê bem com o governador. Sobretudo no medo da mídia de errar na mão, de mostrar preferência por uma candidato. Obviamente não falo dessa mídia tacanha do Amapá, que não é apenas comprometida com parte da elite política do Estado, mas é propriedade dessa elite. Falo das cadeias nacionais de rádio, televisão e jornais. Desde a mal fadada cobertura da rede Globo de televisão da campanha presidencial de 1989 uma porção de regras foram criadas para tentar evitar a repetição da famosa edição do Jornal Nacional veiculado logo após o debate entre Lula e Collor, então candidatos a Presidência da República. Um Brasil que via ainda a democracia engatinhar, viu também ir ao ar uma das matérias mais tendenciosas da história do país, talvez até definitiva para o resultado do embate que sairia dali a alguns dias dando vitória a Collor de Mello. Desde lá eleições viraram sinônimo de tabu na imprensa.
A justiça eleitoral também cumpre função importante nesse tema, definindo o que é propaganda extemporânea, o que é honra subjetiva, o que é uso indevido dos meios de comunicação e uma série de mecanismos, que ao contrário de servir para equilibrar o debate, estão servindo para matá-lo.
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