
“A Amazônia precisa desenvolver-se mantendo a cobertura vegetal”
A deputada federal Janete Capiberibe foi exilada política na década de 70, durante a ditadura militar, por conta da sua luta pela democracia e por justiça social. Depois de 10 anos no exílio com sua família, retornou ao país. No seu estado natal, foi vereadora de Macapá, deputada estadual quando aprovou a Lei da Biodiversidade e secretária estadual de indústria, comércio e turismo. No segundo mandato de deputada federal, ocupa neste ano a cadeira de presidenta da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. A socialista deu a seguinte entrevista ao assumir a presidência da CAINDR.
Como a senhora vê sua indicação para a CAINDR?
Considero que valoriza as populações tradicionais, por minha origem cabocla, e valoriza a militância pela democracia, justiça social e desenvolvimento sustentável, que compartilhamos com muitos colegas nesta Casa e na Comissão.
Tenho a responsabilidade de prosseguir um trabalho que atenda às necessidades da população da região amazônica e das outras regiões brasileiras, carentes de desenvolvimento, geração e distribuição de renda às populações locais e sustentabilidade econômica e ambiental. Considero este momento importante, por que a questão ambiental deve delinear qualquer ação humana. As políticas equivocadas de desenvolvimento, alheias às realidades e culturas locais, deixam atrás de si um rastro de destruição; resultaram na miséria, na poluição de todo o tipo, no aquecimento global e na escassez dos recursos naturais. É nosso papel debater e promover políticas que dêem outro rumo à humanidade.
Quais são as prioridades durante sua gestão à frente do colegiado?
Vamos continuar dando a importância inegável que a Amazônia tem como patrimônio do povo brasileiro pela sua grandeza territorial, pela diversidade e riqueza ambientais. O Brasil precisa se integrar à Amazônia e as regiões entre si com políticas promotoras de desenvolvimento sustentável à longo prazo, que não sejam predatórias. A sociedade brasileira ter a Amazônia como seu patrimônio e sentir-se responsável por ela. Devemos promover esta interação e valorizar a Amazônia; utilizar seus recursos animais e vegetais mantendo a cobertura florestal. O Estado precisa estar mais presente na Amazônia, centro-oeste e nordeste e nas regiões de fronteira. Em alguns lugares é preciso consolidar as forças de vigilância e proteção. Em outros, a presença deve ser com políticas de edução, saúde, desenvolvimento sustentável. As políticas públicas e privadas devem promover o desenvolvimento sustentável com distribuição de renda e justiça social, sem negar as peculiaridades locais e as populações tradicionais. Os ribeirinhos, castanheiras, quebradeiras de coco, indígenas e quilombolas, por exemplo, precisam estar incluídos nos nossos debates e nas nossas políticas. As queimadas de floresta são 75% da emissão brasileira de gás carbônico, por isso estamos entre principais poluidores. Precisamos reverter esta situação.
De que forma a senhora pretende incentivar o debate sobre a Integração Nacional e o desenvolvimento regional?
Isto ocorrerá pela interação dos agentes públicos e privados, de modo que todos sejam corresponsáveis pelas políticas e ações abrangentes e sustentáveis de desenvolvimento com inclusão econômica e social. O I Simpósio da Amazônia, realizado ano passado, é um passo importante nessa política de conhecimento e integração. Nos dará subsídios e deve ser exemplo para ações idênticas entre as regiões. É imprescindível a interação entre todos os agentes públicos.
A senhora considera que o país reconhece a Amazônia na sua verdadeira essência?
Nem nós, amazônidas, ainda a conhecemos suficientemente, tamanha é sua grandeza, sua diversidade, sua riqueza.. Por isso pretendemos que todo a Brasil se aproxime dela, a conheça e sinta-se responsável por ela. Vamos buscar parcerias para agir neste sentido.
A senhora foi deputada estadual e secretária de indústria, comércio e turismo entre 1995 e 2001, no governo que implantou o Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Amapá. Esta experiência pode servir à toda a região amazônica e ao país?
Durante este período aprovamos a Lei da Biodiversidade, de minha autoria, e o Amapá teve bom crescimento em todos os aspectos. Desenvolveu-se preservando suas riquezas naturais e valorizando as tradições locais. Promovemos a inclusão das populações tradicionais que obtiveram renda pelo seu trabalho sem serem predadores ambientais. Os projetos estavam espalhados pelo estado, não concentrados em um só ponto. Muitos lugares já adotaram esta política, como o Acre. Queremos compartilhar essa experiência e torná-la conhecida em todo o país como já é no exterior.
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