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Garimpeiros brasileiros buscam ouro na Guiana Francesa

Vale a pena ler essa matéria publicada no jornal Francês Le Monde

Laurent Marot
Enviado especial a Caiena, Guiana Francesa

A chuva cai sobre a centena de “carbets” da aldeia, abrigos sumários cobertos por lonas de plástico preto que se erguem aqui e lá, à beira de um caminho lamacento. Já faz vários meses, este lugar é utilizado como um local de passagem, de abastecimento e de entretenimento pelos garimpeiros clandestinos que buscam ouro na Alta Mana, no coração da floresta guianense, que fica a vários dias de piroga (um barco indígena) da costa atlântica.

Sentado na margem do rio, Edilson, 57 anos, está aguardando uma embarcação para retornar ao litoral, e voltar para casa, no Brasil, no Estado do Maranhão, um dos mais pobres do país. “Eu tive duas costelas quebradas quando uma parede desmoronou no garimpo. Vou procurar atendimento médico no Brasil, e depois descansar”, diz, com o olhar perdido nas águas lamacentas do rio Mana, poluídas pelos resíduos químicos dos garimpos clandestinos nos arredores. Há sete anos que Edilson está em busca da fortuna na floresta guianense, ele que já foi garimpeiro – sempre em busca de ouro – em seu país. “Primeiro, a gente trabalha com as mãos, como os veteranos, e depois a gente compra um motor, quando isso se torna possível, a prestações e passa a trabalhar com cinco ou seis pessoas”, explica este pequeno patrão. “Os operários recebem 30% do valor do ouro, eu pago as despesas – o combustível, alimentos – e o que sobrar é para mim, mas, em muitos casos, não sobra grande coisa”, confessa. Isso é suficiente para financiar a escola ou a universidade para os três filhos. “Eles não precisarão levar a vida que eu levo, eles estão estudando”, comemora o garimpeiro.

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“Aqui, 90% das pessoas são analfabetas. Eu mesmo, mal consigo escrever o meu nome”, explica Josué, cerca de 40 anos, magro e desdentado, que busca ouro há vinte anos, primeiro no Brasil e agora na Guiana. “No Brasil, quando uma pessoa não tem diploma, ela não consegue encontrar um emprego bem remunerado, e o salário mínimo – que hoje vale R$ 390 – não é suficiente para sustentar a família”, diz. No espaço de seis meses, ele diz ter enviado para a sua família cerca do dobro do que ele teria ganhado com um salário mínimo brasileiro.

Para mudarem de vida, todos eles sonham encontrar um veio, igual àquele que foi descoberto no ano passado a vinte quilômetros dali, num terreno que já é bastante conhecido de todos os garimpeiros clandestinos da Guiana. “O rapaz que descobriu aquela jazida foi embora com 100 kg de ouro. Então, nós fomos até lá e montamos uma cooperativa, relata Lourivaldo, um dos sócios da “cooperativa”. “Nós conseguimos extrair 200 kg de ouro; eu mesmo obtive um lucro de 4 kg”, diz, exibindo uma pedra daquele garimpo na qual brilham palhetas de ouro. O homem não circula pela área sem o seu fuzil calibre 12, e ele se diz cansado da insegurança que passou a predominar em volta do garimpo, onde três pessoas foram mortas nos últimos meses, em conseqüência de roubos e de brigas.

A grande maioria dos garimpeiros da Guiana nunca conhecerá a felicidade que se sente ao descobrir um veio, e gastará no mesmo local os poucos gramas de ouro arrancados da floresta. Na aldeia há um comércio que inclui uma padaria, cantinas, um joalheiro, pequenas quitandas. Durante a noite, há mulheres que dançam nas discotecas improvisadas e vendem o seu corpo por alguns gramas de ouro.

“Aqui, tudo é muito caro”, se queixa Josué. “O quilo de arroz custa um grama e meio de ouro – cerca de 27 euros (R$ 69) com base na cotação do ouro na floresta, não refinado -, o pão, um meio-grama de ouro (9 euros, R$ 23), um ovo, dois décimos de grama (3 euros, R$ 7,66)…”, enumera. Essas tarifas exorbitantes podem ser explicadas pelo custo elevado do transporte das mercadorias de contrabando, a partir de Paramaribo, a capital do Suriname vizinho. “É preciso desembolsar 300 gramas de ouro, ou seja, cerca de 5.000 euros (R$ 12.760), para mandar vir clandestinamente quatro toneladas de frete de Albina, no Suriname; este material é encaminhado de carro até Saut Sabbat, e depois de barco pelo rio Mana”, explica Isaias, que mantém um “carbet” quitanda na aldeia. “A viagem costuma demorar oito dias, mas pode durar o dobro quando as águas estão mais baixas, o que torna as coisas muito difíceis”, confessa o jovem rapaz. “É igual a um jogo, às vezes você ganha, e então, de vez em quando você perde”, prossegue, fazendo alusão aos riscos de naufrágio, ou às barragens de policiais militares. “Os policiais já confiscaram o meu barco, queimaram as minhas mercadorias, e até mesmo o meu ‘carbet’”, explica Luisa, a sua vizinha de “carbet”, que também compra mercadorias no Suriname para trazê-las para a aldeia. Então, o frete é encaminhado até os garimpos; os homens o carregam nas costas ou por meio de “quads”, pequenas motos de quatro rodas capazes de transportar barris de combustível de 200 litros, e que permitem utilizar uma rede de pistas clandestinas, encobertas pela floresta.

A vinte minutos a pé da aldeia, um garimpeiro nos conduz para ver os restos de um garimpo, de fato um buraco repleto de água em plena floresta. “Nós evitamos derrubar as árvores”, explica, “para nos manter escondidos dos policiais”. Tão logo se ouve o ruído de um helicóptero, os olhos escrutam o céu. “Aqui, as pessoas temem a qualquer momento uma intervenção, e por via das dúvidas, todos eles saem para esconder as suas mercadorias na floresta, ou os motores dentro da água”, comenta o nosso guia. “Quando vocês chegaram à aldeia, muitos deles foram se esconder, acreditando que vocês eram policiais”, prossegue.

Dois dias antes da nossa chegada, uma operação chamada de “Anaconda” tomou como alvo um garimpo a alguns quilômetros de lá. A notícia se espalhou rápido, por meio da rede de rádio HF que cobre o interior da Guiana. Em cada aldeia, o “carbet” da rádio é o local onde os garimpeiros costumam comparecer para entrar em contato com a família, por intermédio de uma operadora de telefonia brasileira, mas também para alertar a todos no caso de uma aproximação dos policiais. O transmissor serve também para entrar em contato com uma equipe do pronto-socorro, para organizar evacuações de emergência rumo ao hospital de Caiena, quando ocorrem acidentes nos garimpos, ou ainda surtos de malária. Para um bom número de garimpeiros, o sonho não raro acaba num beco sem saída, em pleno coração da floresta, longe da sua família.

“Muitos vêm para cá com o objetivo de se tornarem muito ricos, mas no fim das contas, eles acabam sem um tostão, e sem terem como retornar ao seu país. Eles ficam doentes e não conseguem ir embora”, comenta Luisa, que deixou os dois filhos no Brasil para tentar a aventura do contrabando nos garimpos clandestinos. “Conheço alguns deles que estão aqui há três ou quatro anos”, acrescenta, “e, sem meios, nunca mais retornaram para casa. Eu mesma tenho medo de que isso aconteça comigo”.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

21 comentários para “Garimpeiros brasileiros buscam ouro na Guiana Francesa”

  1. Os garimpeiros vão para onde tem ouro.

    Escrito por silan machado | 5/07/2008, 11:58
  2. quero encontrar meu irmão…..!!!!!

    Escrito por nelciane alves fontinele | 16/09/2008, 11:16
  3. Combater a prática delitos nas regiões de fronteira no extremo norte do país, crimes ambientais, contrabando de armas, garimpo e tráfico de drogas são objetivo da operação Pacajá II, que acontece nos estados do Pará e Amapá, desde o dia 7 de novembro. Homens da Polícia Federal, Receita Federal, Corpo de Bombeiros e Ibama(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) participam da operação, que não tem data para acabar.

    Ao todo a ação envolve mil servidores, sendo 800 militares da23ª Brigada de Infantaria (Pará e Amapá). A primeira parada da equipe de agentes federais foi no povoado de Ilha Bela, dentro do Parque Nacional ‘Montanhas do Tumucumaque’. A área é fronteira com a Guiana Francesa e apenas o rio Oiapoque separa os dois países. Lá foi constatada a prática ilegal de garimpo e houve destruição demateriais usados ilegalmente nesta exploração. Foram duas espingardas calibre 12 e um revólver 38.

    Ação tem como meta garantir a soberania nacional na região,coibir principalmente a extração ilegal de minério e combater a ocupação ilegal da área, por ser considerada área de reserva nacional e deve continuar sem data prevista para encerramento

    Escrito por joão luiz de almeida | 18/11/2008, 22:55
  4. Gostaria saber se tem algum artigo relacionado á Luis Silva de Sousa em Julho de 1994, acidente em garimpo…..

    Escrito por Wilma Almeida | 5/01/2009, 14:12
  5. gostaria de encontrar o meu tio Florisberto Teixeira de Souza, conhecido por bigode. É urgente a mãe dele está com 88 anos e com e com o estado de saude bastante delicado.

    Atenciosamente,

    Maria das Graças

    Escrito por Maria das Graças Teixeira Lima | 16/03/2009, 15:09
  6. OLHA ÉU NUNCA TIVE ESTA IDEIA DE GARIMPAR PRIMEIRO ÉU TENHO MUITO MEDO DE UMA GRANDE BARREIRA DE TERRA CAIR SOBRE MIM E O GARIMPO JÁ É CLANDESTINO E ÉU CLANDESTINO TAMBEM NO GARIMPO NÃO TEM POSTO DE SAUDE SE MORRER É ENTERRADO NO MATO OLHA AMIGO ÉU TERIA VONTADE DE PASSEAR EM CAIANE
    E GANHAR AUGUNS EUROS

    Escrito por ROBERTO | 28/05/2009, 16:50
  7. Estou a procura de alguem com conhecimento na região de garimpo ou na Guiana ou Suriname, que queira se aventurar na procura de ouro, sozinho não tenho coragem mais com alguem que tenha coragem e conhecimento disso eu vou, tenho como finaciar minha parte nisso, caso aja alguem entre em contato, marcelofrall@hotmail.com. moro no interior de SP.

    Escrito por Marcelo | 14/06/2009, 21:35
  8. 2º Grau completo ( inclusive 1 semestre em Sistemas de informação ), vários cursos de informática, desempregado, solteiro, 32 anos e dependendo dos pais até pra pagar passagem de ônibus!!! Quero ir pro garimpo!!!!! Não necessariamente pra ficar rico, mais pra juntar algum $$. Se alguém tiver alguma informação de como chegar lá, se chegando lá é certo arrumar serviço ( pode ser o braçal mesmo ), quanto vou gastar ( saindo de Macapá prq tenho família lá ) ou se existe uma rota melhor, etc.
    No momento moro em Fortaleza- CE.
    Meu e-mail para qualquer informação é danuzio.quikslvr@hotmail.com

    Escrito por Danuzio | 1/07/2009, 11:04
  9. Danuzio Nao procure esse rumo para sua vida ;sei que a vida no brasil é muito dificio ;mas saiba que tenho familia que vive no garimpo das guiannas o tio do meu marido foi assaltado e mataram ele quando ele saiu com uma serta quantia ;tenho irma que trabalha com venda ela e seu marido hoje nunca tem planos do dia do amanha seria um pouco mas facil voce procurar trabalho na guiana!

    Escrito por JAMILI | 2/08/2009, 13:21
  10. me chamo clodoaldo e tenho pretenções de ir trabalhar em garimpo na guiana inglesa, pois possuo curso de operador de escavadeira hidraulica. Quem souber de alguma proposta ou estiver alguma é só falar comigo.Meu mail é raquel.rafa@yahoo.com.br

    Escrito por clodoaldo | 25/09/2009, 16:33
  11. Eu tive ou tenho um amigo garimpeiro chamado Paulo (Gaucho) Cirezole, trabalhou comigo no Peixoto de Azevedo em 1985/86/87, a última nitícia que tive dele foi um sobrinho que mora em Terra Nova do Norte no MT-Brasil que falou que ele andava na Guiania….se alguem souber dele me de notícias…o meu e-mail é williamwerner45@gmail.com

    Escrito por William Werner | 17/12/2009, 23:14
  12. QUERO ENCONTRA ME IRMAO DESAPARECIDO DES 1998 A UTIMA NOTICIA ELE TINHA SIDO MORTO MAIS TEMOS EESPERANÇA QUE ESTA VIVO O NOME DELE E VILMAR BILHA

    Escrito por marTA LUZIA BILHA | 29/12/2009, 10:08
  13. Procuro por Valdemir Pereira de Oliveira, a família dele reside no Pará, segundo informações está em garimpo nessa região da guiana e suriname. Qualquer informação pelo e-mail: mvalda.adv@gmail.com, ou fone: (67) 9984 0429. obrigada

    Escrito por Maria Valda | 5/01/2010, 3:18
  14. somos muitos omilhados por as pessoas da terra,em suriname tanbem trabalho la, agora estou em casa a 15 dias. me livrei de ser presa agora no garimpo 16 onde pasei 1 mes mas muitos amigos meus foram presos.legalisados no pais isto e um absurdo acho tudo isso um abusso contra os brasileiros uma forma de tira dinheiro dos brasileiros.

    Escrito por ana lice | 13/04/2010, 23:55
  15. sou da sidadi de paripiranga bahia estou pensado em mim aventura na guiana eu gostaria de fala com aguem que ja estevi no garipo demario.nardone@hotmail.com

    Escrito por demario nardone | 23/07/2010, 20:16
  16. Minha gente, aqui no Brasil tem muito ouro, se conseguirmos nos unir e fazer um manifesto em Brasília-DF, para a nossa presidente eleita liberar uma área a exploração sem uso de mercúrio,pois existe outra forma lícita de concentrar o ouro,(mercúrio é usado apenas para concentrar o ouro) durante pelo menos 4 anos do seu mandato,claro que a segurança através das polícias terão que permanecer na área pois o ouro gera conflitos. todos os garimpeiros teriam que assinar um acordo pela paz e aquele que por algum motivo cause desordem deverá ser expulso antes de acontecer homicídios e etc…depois é só reflorestar aquela área explorada com ajuda financeira dos próprios garimpeiros através de um imposto específico para esse fim.Está interessado entre em contato comigo.helena_couve@hotmail.com

    Escrito por helena | 14/11/2010, 22:24
  17. meus amigos ando ha procura de um tio meu que esta na guiana françesa ele e portugues mas estava ha muitos anos em frança ele se chama joao figueiredo quem sober de alguma coisa agradeço que me digam alguma coisa sobre ele eu sou sobrinho dele me chamo miguel figueiredo

    Escrito por miguel | 25/12/2010, 11:11
  18. Escrito por miguel | 25/12/2010, 11:12
  19. gostaria de ter noticias da minha irmã Francisca, ela foi trablhar no garimpo de suriname e numca mais voltou sintimos muita falta dela, minha mãe sofre muito cm isso,pois ligaram dizendo que ela havia falecido ,más nos não temos serteza…é muito triste perder alguem que amamos.

    Escrito por adriana | 17/03/2011, 10:39
  20. Eu procuro por meu filho Valdinei da silva que foi para o garimpo no Suriname e ja faz mais de 2 meses q ñ nos dar noticias…se alguem tiver informações nos informar atras deste email doralicejose_@hotmail.com…ou pelo cel..69 9207 3904…do mais agradecemos….

    Escrito por nivaldo | 21/03/2011, 18:26
  21. GARIMPO E ILUSAO NO ANO PASSADO EU PENSSEI EM IR PARA O GARAMPO QUANDO DESCRUBI QUE ERA MUITO PERIGOSO LAPELA BOCA DOMEU IRMAO JOAO DOS SANTOS DA SILVA GRACAS A ELE NAO TIVE A SORTE DE VOLTAR MORTO PARA O MEU ESTADO. (AMAZONAS) MANAUS

    Escrito por JOILSON DOS SANTOS DA SILVA | 18/04/2011, 17:28

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