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Artigo – Amazônia : Socorro !!!

08 de fevereiro de 2008

por Alain Ruellan*

tradução: Philippe Byron
revisão: Artionka Capiberibe

Mais uma vez a corrida recomeça. Após uma breve pausa de alguns anos, a destruição da floresta amazônica voltou a intensificar-se no Brasil. A insanidade da destruição criminosa das imensas riquezas da biodiversidade amazônica, em grande parte desconhecidas, tornou a acontecer. Os povos da floresta, os ecologistas e outros promotores do uso sustentável da biodiversidade têm dificuldade de conter a frente formada por tratores, motosserras e queimadas.

O governo Lula, em geral muito plácido, finalmente preocupa-se. Mas, não seria ele o principal responsável? O que fez durante 5 anos? Se não se aliar, contra sua Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, com aqueles cujos projetos, claramente identificados, são fazer da Amazônia um imenso território agrícola. Território cuja finalidade está consagrada à cultura da soja, à produção bovina e hoje aos agro-combustíveis (cana de açúcar, dendê, etc.); substituindo o petróleo, cada vez mais raro, por álcool e óleo produzidos em espaços desmatados e contribuindo assim para a destruição das florestas biologicamente ricas e diversificadas. Sim estamos em plena era da loucura!

O que fazer?
Respondo cândida, mas veementemente: devemos convencer.
Convencer e demonstrar que podemos trabalhar de maneira diferente. Na Amazônia, a floresta existente, bem gerenciada, vale mais que a floresta definitivamente destruída. Várias experiências, realizadas nesses últimos anos, demonstram isso e é nosso dever falar sobre elas. É preciso também fazer escolhas políticas que permitam criar as condições sociais e econômicas necessárias, escolhas que permitam às populações viver bem, na floresta e da floresta.

Na fronteira com a Guiana Francesa, no Estado brasileiro do Amapá, durante oito anos (de 1995 à 2002) houve ume experiência política e sócio-econômica de desenvolvimento sustentável, chamava-se PDSA – Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá. Essa mesma experiência esta sendo realizada, há cerca de nove anos, no Estado brasileiro do Acre, que faz fronteira com a Bolívia e o Peru. Em outros lugares, espalhadas por toda a Amazônia, diversas experiências, baseadas no uso sustentável dos recursos biológicos florestais foram realizadas ou estão em curso.

Será que a urgência agora não seria fazer um balanço de todas essas experiências e pesquisas, difundir o que foi feito com sucesso, promover outras experiências, multiplicar os locais de pesquisa e experimentação numa escala maior ? Os conhecimentos científicos e populares no que diz respeito ao uso sustentável dos recursos da floresta e de outros ecossistemas amazônicos são importantes, mas pouco divulgados, pouco utilizados. Temos que corrigir isso.

No inicio de fevereiro deste ano, os presidentes Lula e Sarkozy vão se encontrar na fronteira franco-brasileira, situada no rio Oiapoque. Grandes e pequenos problemas serão novamente abordados. Vai se falar, me parece, de biodiversidade, de cooperação científica franco-brasileira para a biodiversidade, esquecendo-se de todos os projetos já elaborados, carinhosamente arquivados!

Então, tenho um pleito, que encaminho especificamente aos brasileiros : temos que agir rapidamente, muito rapidamente. Trata-se de uma corrida, uma corrida para ocupar a floresta e viver da floresta antes que ela seja sucateada e desapareça.

Agir rapidamente, é agir no plano federal, em caráter de urgência, fazer a escolha política clara do desenvolvimento sustentável. É simples, trata-se de concretizar imediatamente as decisões tomadas pelo Presidente Lula em Rio Branco, no Acre, em maio de 2003. Depois, multiplicar os locais de pesquisa e de ações, dando prioridade àqueles que fizeram a escolha política e socioeconômica do desenvolvimento sustentável. Não é um único instituto da biodiversidade amazônica que devemos criar, mas uma rede de pequenos institutos, apoiando-se no que já existe. A imensa Amazônia é diversa: diversidade biológica, ecológica, humana; diversidade de experiências adquiridas. São essas diversidades que temos que descobrir e valorizar. Então vamos evitar mais um grande projeto que será mais uma vez arquivado.

Encaminho também um pleito aos franceses, especificamente à pesquisa cientifica e às ONG francesas : estejam realmente disponíveis, com tempo e recursos para colaborar com os amazônidas em suas solicitações. A cooperação francesa, aquela da Guiana Francesa e da França continental, deve ser mais voluntária, mais eficiente, mais disponível, mais diversificada.

*Alain Ruellan, 75, professor emérito de ciências do solo. Vive em Montpellier na França.

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

2 comentários para “Artigo – Amazônia : Socorro !!!”

  1. Eu acho que se continuar assim a Amazonia não vai durar nem uns 50 anos. deveria ser criado um projeto de revitalização de todos os lugares onde existem restos de MATA ATLANTICA …

    Escrito por Sabrina C.Miranda | 3/10/2008, 8:14
  2. Eu acho que devemos restalrar o que ainda sobrou da Amazonia,e quem desmatasse ou tratasse mal qualquer planta deveria ser PRESSO…

    Escrito por Ricardo | 3/10/2008, 8:29

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