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Saúde

Saúde pública no Amapá: o martírio de um povo

Ou o sr. Governador começa a olhar pelo povo, ou a situação vai ficar cada vez pior no Amapá. Vi no Blog da Alcinéa que a maternidade ficou largada às traças durante o Ano Novo. Os médicos resolveram não trabalhar e deixaram a população nas mãos de Deus. Bruno Rogério Cavalcante esteve no pronto socorro no último dia 02 de janeiro, onde viveu um verdadeiro show de horrores descrito e registrado por ele no relato que transcrevo abaixo:

UMA NOITE NO PRONTO SOCORRO

Eram 23h16min do dia 02 de Janeiro de 2008, meu telefone tocou, era o meu pai pedindo para que eu fosse visitar meu tio que havia se submetido a uma cirurgia de apendicite no, único, hospital de emergências do estado e substituí-lo como acompanhante, pois estava muito cansado. Qual a situação dele? Perguntei ao meu pai. Ele me respondeu com a voz triste e aflita. – Ele está jogado em uma maca no corredor do hospital, morrendo de dor, suando bastante, pois aqui está um calor insuportável, não tem leito, e tem muita gente na mesma situação, é um verdadeiro depósito humano!

Depois do relato de meu pai, cheio de revolta e aflição, peguei um celular com câmera fotográfica e fui ao encontro do meu tio revoltado com que tinha ouvido de meu pai sobre a realidade do pronto socorro e da situação da saúde pública que definha e agoniza junto aos seus pacientes.

Chegando ao Pronto Socorro por volta de 23h45min, me deparei com a assustadora realidade, encontrei pacientes impacientes aguardando por um leito, muitos estão nos corredores em macas de ferro enferrujadas sem colchões e sujas de sangue. Aparelhos de higiene pessoal como arrastadeira sendo substituídas por garrafas vazias de soro fisiológico, os banheiros sem o mínimo de limpeza, copo descartável não existe, o caos é generalizado, roupas de cama sujas de sangue jogadas no chão dos corredores, servindo de travesseiro para os acompanhantes que estavam deitados no chão correndo risco de infecção hospitalar.

São exatamente 00h13min do dia 03 de janeiro de 2008, continuo no Pronto Socorro, acabo de pedir para o meu pai ir pra casa, ele já estava cansado de ser acompanhante e acompanhar tanto descaso. Agora eu sou o acompanhante, acabo de assumir meu posto nos corredores do segundo andar do pronto socorro ao lado do meu tio que continua com muita dor devido ao pós-operatório, o cenário era desolador neste andar, os corredores foram transformados em enfermarias, todos os pacientes estão sujeitos a terem infecção hospitalar pela completa falta de higiene, durante a minha permanência no hospital, houve duas mortes de pacientes que estavam na mesma situação do meu tio.

Às 00:45h passo por um momento delicado, meu tio esta com vontade de urinar, não tinha enfermeira no andar, tive que fazer o trabalho, como não tinha arrastadeira(urinol), foi improvisado um frasco de soro fisiológico usado como arrastadeira, situação que me deixou ainda mais impressionado pelo descaso do governo atual com a saúde publica. Foi então que resolvi escrever este relato, no momento que estava com a caneta e papel na mão, meu tio acordou e percebeu que estava escrevendo sobre a situação e, disse: “como este governador ainda manda passar na televisão que esta tudo bem com a saúde, este cara é um mentiroso mesmo. Ele deveria vir aqui e olhar com seus próprios olhos e sentir na pele o que é sofrer”, neste momento me emociono, pois a dor dele e dos pacientes não chega nem perto da dor da impotência que senti nesta hora.

Eram 03:08hs da manhã eu continuava dividindo a cama com meu tio operado,pois não há camas para acompanhante. Se aproxima uma enfermeira para aplicar uma injeção nele e para minha surpresa ela tem que improvisar utilizando luvas cirúrgicas usadas, como se fossem ligas para facilitar a aplicação, cada vez mais fico me perguntando, meu Deus, onde isso vai parar, já que não tem nem o básico.

São 4:00hs da manhã, o calor é insuportável, resolvo ir atrás de uma enfermeira e lhe pergunto? Tem previsão dele ir para um leito? Ela me responde “não existe previsão para isso moço, a prioridade é para os pacientes que estão desde ontem no corredor e para pessoas que estão em macas de ferro somente com lençóis sem colchões”.

As 4:35hs da manhã me dou por vencido pelo cansaço, revolta e descaso. Meu tio esta dormindo tranqüilo, se é que posso chamar isso de tranqüilidade, ele, recém operado dormindo num corredor de hospital, sem nenhum acompanhamento médico durante a madrugada e tendo que dividir a cama comigo. Infelizmente terei que dormir com estas imagens que são o verdadeiro retrato da saúde pública do Amapá.

Bruno Rogério Silva Cavalcante
Administrador em GestãoAmbiental e
Acompanhante por uma noite no pronto socorro


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Comentários

4 comentários para “Saúde pública no Amapá: o martírio de um povo”

  1. Ababei de ler a entrevista do Sr.Governador ao JD, a cada pergunta um amontoado de mentiras,falou muito da harmonia com os poderes,esqueceu da harmonia com o povo e para esse que o Governo deve trabalhar,como não tem nenhuma obra de seu governo falou da BR 156 que é obra de vários presidente e varios governadores,sobre o combate a corrupção em seu governo nada falou nada o JD perguntou, ele está parecendo o Sr.Jurandil Juarez nos anos 80 e o Feião nos anos atuais,fala bonito e nada de concreto.Estou desafiando os puxa-saco a me dizer uma obra do senhor Waldez Góes.Uma sugestão para o JD,quando for entrevistar um agente público que selecione as perguntas fundamentais,como:saúde,segurança,educação,agricultura,desenvolvimento economico,etc..,isso sim que é Jornalismo.

    Escrito por Anonymous | 6/01/2008, 9:03
  2. Mais uma vez Lu, parabéns pelo jornalismo independente, sério e imparcial com o qual você nos presenteia. Apesar de minha pouca idade, aprendi a ter um profundo respeito e admiração pela família Capiberibe. Espero em breve poder participar mais ativamente da política no entuito de espalhar a ideologia e ajudar na luta do PSB, partido que aprendi a gostar de coração e de graça. um grande abraço.

    Escrito por Luan Menezes | 7/01/2008, 6:24
  3. Olá Luan, muito obrigada pela parte que me toca. Fico feliz em saber que há jovens como você interessados em assumir a luta política aqui no nosso estado, a renovação é necessária e saudável, um abraço para você também.

    Escrito por Luciana Capiberibe | 9/01/2008, 16:13
  4. realmente e um descaso o que acontece com a saude publica no nosso estado, porem a culpa nao e so de um determinado governador;e sim de nos que nao lutamos pelos nossos direitos.

    Escrito por raquel | 10/09/2010, 23:27

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