Recebi o seguinte comentário sobre matéria do jornalista Larry Rohter publicada no The New York Times e reproduzida na Folha de São Paulo:
Cara Luciana,
A notícia de Larry Rohter reproduzida neste blog e em outros websites é tão antiga quanto errada. Foi publicada pela primeira vez pela Folha de São Paulo há uma década. Comparando, aliás, o texto do NYT com o da Folha, de 1997, e outra notícia publicada no jornal Página 20, observam-se os mesmos erros, a mesma seqüência de informações, o mesmo formato.
Vamos aos fatos:
Em 1996, Hilton Pereira da Silva (hdasilva@acd.ufrj.br, jamais ouvido pelos jornalistas) acompanhava, na condição de antropólogo, uma equipe de cinegrafistas britânicos que filmavam um documentário entre os Karitiana. Entretanto, sendo ele também médico, viu-se diante de uma emergência e prestou atendimento aos índios. Tudo absolutamente conforme imperativos legais (art. 135 CP) e *éticos* (arts. 57, 58 Código de Ética Médica) de sua profissão.
Teve, entretanto, por dez anos, sua honra corroída pela má imprensa e por más autoridades, que o acusaram de ter vendido, através de laboratórios estado-unidenses, amostras de sangue Karitiana e Suruí.
Sem oportunidade de defesa, vítima de pré-julgamentos, o cientista, médico, biólogo, antropólogo era, em milhares de sites na internet, um* biopirata.*
Apenas em 28 de março de 2006, com o relatório final da CPI da Biopirataria, alguns equívocos espantosos começaram a ser publicamente esclarecidos: o sangue à venda fora coletado por pesquisadores norte-americanos *há vinte anos*, a trajetória deste material estava fartamente descrita em diversos artigos científicos, e as amostras vinham sendo vendidas *antes* do médico visitar a tribo Karitiana – e ele jamais esteve entre os Suruí –; era uma afronta à lógica espaço-temporal vincular Hilton à venda e um erro ainda mais danoso confundir atuação médica com promessas enganosas ou conduta ilegal.
Cordialmente e sempre a sua disposição,
Anna Cruz de Araújo Pereira da Silva
Comentários
Nenhum comentário para “Outro lado II”
Comentar