Enquanto algumas “mentes brilhantes” que nos governam acham que o futuro do estado do Amapá está na produção de ferro guza e na cultura country sertaneja americana, os filhos de Tio Sam enchergaram por aqui um outro mercado, novo, promissor e sustentável, que se abre para o Amapá e o Brasil, sem que nenhum dos dois se dê conta disso.
Há duas semanas a revista Veja publicou uma extensa matéria na editoria de economia sobre o sucesso do açaí no mercado mundial. Duas semanas antes da revista Veja, foi a vez da revista Época publicar uma reportagem com o mesmo teor. Chama atenção da imprensa brasileira o sucesso da frutinha mais querida da região amazônica, principalmente no mercado americano Estados Unidos. A reportagem da Veja, O açaí na trilha do kiwi, assinada por Julia Duailibi toca num aspecto que salta aos olhos quando se pensa numa fruta tão tipicamente brasileira e mais especificamente amazônica: Quem está faturando mais com a frutinha roxa adorada pela gente daqui são os americanos, e isso está acontecendo por absoluta falta de iniciativa dos brasileiros.
“Assim como outras novidades exóticas, a fruta amazônica ganha valor e mercado nos Estados Unidos. Mas não por talento empresarial brasileiro” – fala a reportagem de Veja
A jornalista compara a trajetória do açaí com o kiwi, uma frutinha asiática, que recebeu pesado investimento financeiro de produtores asiáticos para ganhar o mercado mundial. O que mais intriga é que a Sambazon, uma das empresas que mais fatura no mercado americano com produtos derivados do açaí tem sede aqui no Amapá, mais precisamente no Igarapé Fortaleza, de onde sai a produção exportada para a América do Norte.
A Sambazon tem um sítio na internet onde expõe seus produtos e conta a história de um grupo de surfistas americanos que em visita ao Brasil “descobriram” o açaí e investiram num negócio que agora está faturando US $12 milhões, nada mal para um mercado que há sete anos atrás nem existia.
Surfistas da Sambazon: jovens americanos faturam 12 milhões de dólares por ano vendendo suco de açaí
Além da Sambazon, outras empresas como a Bossa Nova e A Anheuser-Busch, a segunda maior fabricante de bebidas do mundo, estão investindo na diversificação de seus produtos sabor açaí. A também americana Procter & Gamble está investindo na produção de cosméticos a base do açaí.
“O açaí é uma pequena fruta roxa de gosto amargo com mais caroço do que polpa. Com essas credenciais, parecia natural que seu consumo se limitasse às populações ribeirinhas da Amazônia. Ou, no máximo, fosse servida com granola, em tigelas, em praias, quiosques e academias. No entanto, reembalada em um esforço de marketing, essa fruta de origem amazônica está se tornando a nova sensação de consumo nos Estados Unidos, onde foi eleita um dos principais sabores de 2007, de acordo com a consultoria Mintel, uma empresa multinacional de pesquisa de mercado.”
“Ainda que o açaí siga o mesmo caminho do kiwi, existe uma enorme diferença entre as campanhas de marketing empregadas para reinventar as duas frutas. O kiwi foi catapultado por empresas e governos dos próprios países produtores. Já o açaí, tratado como produto alternativo no Brasil, ganha cada vez mais valor agregado graças ao talento de empresas estrangeiras, em sua maioria americanas. O açaí desembarcou nos Estados Unidos em 2000 pela iniciativa de um grupo de jovens empresários do país que, hoje donos de empresas especializadas em sucos da fruta, disputam a primazia do feito. Uma dessas empresas é a Sambazon, formada por surfistas californianos que provaram o açaí numa viagem ao Nordeste brasileiro há sete anos. Em 2006, eles faturaram 12 milhões de dólares.”
“Assim como ocorreu com outras frutas exóticas introduzidas com sucesso no mercado americano, os rótulos de “orgânico” e “saudável” dão um empurrão nessas iniciativas. “Durante incontáveis séculos, os povos do Amazonas consumiram o açaí como fonte de longevidade”, diz a propaganda da MonaVie, empresa que vende um suco contendo dezenove frutas, entre elas o açaí, a “jóia da coroa” do produto. As peças de marketing da empresa definem o açaí como o alimento com mais substâncias antioxidantes “da Terra”, deixando para trás outras frutas e o vinho tinto, famoso por suas propriedades no combate ao envelhecimento. Embora o carro-chefe seja o açaí, a bebida também tem guaraná e uva, para tornar o sabor mais palatável para os estrangeiros. A Fruta Vida, uma empresa texana, também vende um suco eclético, chamado de “mistura única de sabores brasileiros” e composto de mate, açaí e cupuaçu. A maior parte dessas empresas se propõe a reverter uma fatia da receita angariada com a venda de produtos de açaí em ações ambientais de proteção da Amazônia. “Cada garrafa que você compra salva uma árvore da Floresta Amazônica”, dizem os fundadores da Bossa Nova. Eles não são os únicos. “Uma porcentagem do dinheiro recebido com a venda de cada garrafa volta para as pessoas e plantas da selva amazônica”, promete a Fruta Vida. As empresas juram ajudar, com o dinheiro da venda de produtos à base de açaí, famílias indígenas brasileiras que vivem da coleta da fruta.”
“No Brasil, o país com a maior biodiversidade do planeta, o carro-chefe das exportações é a uva. Frutas não convencionais, como açaí e cupuaçu, não chegam a 1% das vendas externas. Segundo o engenheiro agrônomo Harri Lorenzi, autor do livro Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas, empresários brasileiros conseguiram viabilizar o comércio em grande escala de apenas quatro de 320 espécies nativas brasileiras: caju, goiaba, maracujá e abacaxi. A desculpa usada para desprezar as outras é sempre a mesma: frutas não convencionais são muito pouco produtivas. Talvez por causa dessa mentalidade o Brasil poderá em breve perder até a exclusividade da mais nativa de suas frutas: a jabuticaba, que tem um poder antioxidante superior ao do açaí. Ela já está na mira dos mesmos empresários que, com criatividade de marketing, reinventaram a fruta amazônica.”
Um açaí pode ser apenas um açaí, como concluíram os ribeirinhos da Amazônia. Mas pode ser algo mais.
OS EUA teem know-how de marketing porque o governo o promove. O historia do guarana aqui eh esquizita. Era dificil de achar a nao ser em uns poucos supermercados, era caro, e os restaurantes aonde vendiam guarana cobravam 1.50 por lata. Entao uma empresa portuguesa da qual ninguem jamais ouviu falar comecou a importar po de guarana, e da noite pro dia o guarana Brasilia estava em todos os supermercados portugueses da cidade. No Brasil nao acontece porque o governo dificulta todo e qualquer negocio que nao concentre dinheiro nas mesmas maos de sempre. Brasileiro nao entende absolutamente nada de gerenciamento por causa disso. O governo nao deixa.
Adoerei o seu artigo. Gostaria de publicá-lo no meu site. Por favor, emita seu parecer sobre isso. Pretendo inserir 2 links nos textos e 1 link na galeria de links. Muito obrigado pela atenção e sucesso.
Temos interesse na compra do caroço do açaí, distribuição para o Estado de SP. Queremos grandes e regulares quantidades, toneladas. Aguardo um contato.
Grato
Perfil Ltda
Lucas Barreto
Diretor