Fernanda Odilla
Da equipe do Correio Braziliense
Em menos de 24 horas, governadores e senadores do PMDB conseguiram organizar um boicote ao boicote anunciado para esvaziar a convenção nacional do partido, marcada para domingo. Na terça-feira, logo depois de o ex-ministro Nelson Jobim renunciar à candidatura a presidente da legenda, seus apoiadores garantiram que não participariam do encontro. Ontem, depois da oferta de 40 vagas na composição da nova Executiva da legenda, parte dos ex-aliados de Jobim passaram a admitir participar do encontro. Uma reunião marcada para hoje entre oito senadores e Michel Temer, atual presidente do partido e agora candidato único ao cargo, pode concretizar um novo entendimento.
O boicote à convenção foi proposto pelo grupo liderado pelos senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP). Além deles, os governadores Sérgio Cabral (RJ), Eduardo Braga (Amazonas) e Marcelo Miranda (Tocantins) e o deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA) concordaram em esvaziar a eleição. Ontem, a revolta inicial deu lugar a um discurso de reconciliação. “A saída é o entendimento. Pode ser a formação de uma chapa, o adiamento da convenção ou uma terceira via. Queremos que o PMDB esteja totalmente representado e saia dessa convenção unido”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), na saída de uma reunião da bancada do PMDB do Senado com os ministros peemedebistas Hélio Costa, da Comunicação, e Silas Rondeau, de Minas e Energia.
Na lista dos que decidiram contrariar a orientação de Renan e Sarney está Costa. Ele assegurou que participa da convenção. “O PMDB tem que encontrar o caminho da união. O objetivo da reunião (marcada para hoje) é avaliar o impacto da renúncia do ministro e o comportamento do Senado”, anunciou. O governador do Paraná, Roberto Requião, também já garantiu apoio a Temer e pediu a inclusão de quatro de seus apadrinhados na chapa única. Entre eles está um que integrava a chapa de Jobim.
Os governadores Paulo Hartung, do Espírito Santo, e André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, também estão dispostos a furar o boicote. No Senado, Joaquim Roriz (DF) e Gerson Camata (ES) trabalham com a possibilidade de integrarem uma chapa única. “Já assinei meu nome na chapa do Temer. O Jobim nos deixou com a corda nas mãos, tomou a decisão sem conversar com a gente”, afirmou Camata. “A partir da reunião com Temer é que vamos decidir o melhor caminho”, anunciou Roriz, defensor da união das duas chapas.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), do antigo grupo pró-Jobim, quer que o presidente do partido adie a convenção por pelo menos 15 dias. “O ideal é zerar a composição da chapa”, avalia. O adiamento serviria para minimizar a crise escancarada durante o embate entre Temer e Jobim, além de permitir a composição de uma chapa em que os dois grupos estariam igualmente representados. Os aliados de Temer, entretanto, não sinalizam disposição para adiar a convenção tampouco para ceder espaços importantes na Executiva.
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