Sarney publicou ontem artigo no jornal de propriedade de sua família, o Estado do Maranhão, onde mostra que ainda está entalada na sua garganta a derrota da filha para o governador Jackson Lago(PDT). Sarney expõe o próprio fígado, acusa o ex-aliado José Reinaldo e destila a bile típica de quem não engoliu direito os fatos.
Leia abaixo alguns trechos onde Sarney bate em José Reinaldo, ao mesmo tempo em que afaga Jackson Lago.
“Amanhã temos uma data grandiosa para o Maranhão: deixa a cadeira de governador que desonrou e vai para a sua insignificância o judas José Reinaldo.(…)
(…)Em 1967 levei-o para o DER, em 1970, o fiz secretário de Planejamento. Briguei com o professor Pedro Neiva porque queria fazê-lo governador em 1974. Obtive sua nomeação como diretor do DNOS, então uma das maiores autarquias do Brasil. Com Geisel, o fiz presidente da Novacap e secretário de Obras do Distrito Federal. Presidente da República, nomeei-o superintendente da Sudene e depois ministro dos Transportes, onde me fez pagar durante anos a concorrência da Norte-Sul. Isso porque muitos, inclusive o general Ivan de Sousa Mendes, do SNI, quiseram que eu o demitisse. Não aceitei o conselho por carinho, lealdade e afeto e para não vê-lo liquidado com a pecha de corrupto. Em 1990, o elegi deputado federal, em 1994, vice-governador. Repeti a dose em 1998, embora todos me advertissem de que ele não era mais o mesmo, depois de um casamento que todos sabem o bufônico fim que tomou. Lutei para fazê-lo candidato a governador, cargo que ocupou duas vezes.(…)
(…)Jackson tem uma história política e familiar respeitável, ao contrário de José Reinaldo, que quando jovem era já conhecido como Zé do Éden, e agora como Zé Noel. Este não tem história nenhuma. Mandar em Jackson seria a tragédia do estado.(…)
(…)Daqui a cem anos este artigo será lido e meu nome estará onde sempre esteve na história do Maranhão, enquanto esse malandro entrará como Lázaro de Melo: réprobo, renegado, exemplo de traição e crapulice.
Escrevo este artigo com dever de político, criticando, censurando, procurando sanear o que de pior existe na política: a ignomínia, a corrupção, a indignidade, a malversação e o aproveitamento da coisa pública.
Afinal, se me dessem a oportunidade de uma sugestão eu diria: lavem com sal grosso o Palácio dos Leões para limpar a sujeira.
Vade retro.
José Sarney
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Que horror! que baixaria!
Sarney só revela sua verdadeira cara nos rincões do país. Não é desse modo, ou melhor, com essa falta de modos que ele escreve para a Folha de São Paulo.